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Além disso, dentre 46 países onde a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) realiza estudos, o país é apenas o antepenúltimo em geração de profissionais aptos a atuar em mercados de trabalho como animação, arquitetura, design, tecnologia, biomedicina, computação, engenharia e tantos outros somando apenas 17%.

A causa de tais números pode ser observada no início do ano, quando as notas médias do mais recente Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), realizado em 2018, foram anunciadas. Os estudantes brasileiros estão em retração no que tange os estudos das Ciências da Natureza. A nota média em física, química e biologia caiu de 510,6 para 493 pontos.

Apenas algumas semanas depois, o ranking anual Bloomberg Innovation Index, que analisa a capacidade de inovação de 200 países, mostra mais um dado que corrobora com o Enem, mas em estado mais avançado, já na esfera profissional: o Brasil aparece somente na 45ª posição. No caso do México, a situação é ainda pior: 59º colocação entre os 60 países do ranking. Cada uma das economias presentes no ranqueamento foi pontuada em uma escala de 0 a 100 com base em sete categorias igualmente ponderadas, tais como investimentos em pesquisa e desenvolvimento e capacidade de fabricação e concentração de empresas de capital fechado com tecnologia de ponta.
Embora vejamos causa/consequência, o ciclo não se encerra por aí. As deficiências em educação básica e inovação são dois problemas que devem ser encarados com seriedade e planejamento estratégico de longo prazo.

Na Educação Básica, que compreende os Ensinos Fundamental 1 e 2, além do Ensino Médio, é necessário investir na qualidade para criar uma base sólida para o aprendizado desde cedo. Se levamos em conta apenas o Ensino Médio, o essencial é manter o interesse dos alunos por meio de aulas dinâmicas, professores inspiradores e conteúdo prático que estimule a criatividade e inovação, duas características que podem abrir as portas para esse novo mercado de trabalho.

Tanto no Brasil quanto no México, acreditamos que um caminho para esse ciclo virtuoso se baseia no ensino de um método que é tendência mundial nos países desenvolvidos: o STEM (acrônimo em inglês usado para designar Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática – Science, Technology, Engineering, and Mathematics), campo eficiente na formação daqueles que podem transformar qualquer área de inovação. É isso que pretendemos estimular por meio de nossos programas STEM Brasil, criado em 2009, e STEM México, recém-lançado em 2018. Com pequenas adequações aos currículos específicos de cada país, ambos são projetos com foco na capacitação de professores de escolas públicas. Apenas com a melhoria da qualidade desses professores seremos capazes de realizar uma mudança sistêmica capaz de atingir o maior número possível de alunos.

A revolução tecnológica está caminhando de maneira tão rápida que chegamos a um momento decisivo. A melhoria da educação nunca foi tão necessária quanto agora. Quando alunos mexicanos e brasileiros ganham a oportunidade de mostrar seus talentos, vemos como eles são criativos. Um bom exemplo disso é a Febrace, Feira Brasileira de Ciências e Engenharia. Na edição deste ano, foram selecionados vários projetos de alunos que estudam em escolas participantes do programa STEM Brasil.

O nível de complexidade dos projetos mostra que o programa está no caminho certo. Apenas como exemplo, podemos citar o projeto ‘BioCanudo’, apresentado pela estudante Maria Pennachin, do Colégio Estadual Culto à Ciência, de Campinas, São Paulo. O canudo biodegradável é feito à base de inhame e, além de poder ser descartado na natureza sem causar prejuízos para a fauna e a flora, é maleável e comestível. O BioCanudo é um projeto tão incrível que Maria Pennahcin foi convidada para apresentá-lo na Feira Internacional de Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, em setembro deste ano. Inspirada pelos professores que participaram de capacitação do programa STEM Brasil, a estudante conta que criou o BioCanudo para reduzir a poluição de resíduos plásticos nos oceanos e que quer seguir na carreira de pesquisadora.

O Brasil tem outros exemplos que nos dão esperança e motivam a seguir com os programas da Educando. Um deles é o Sírius, situado na Unicamp, também em Campinas. O laboratório é uma das estruturas científicas mais modernas do mundo, com capacidade para analisar diferentes materiais em escalas de átomos e moléculas e, assim, revolucionar a pesquisa brasileira e internacional em áreas como saúde, agricultura e exploração do petróleo.
A missão da Educando é oferecer capacitação de altíssima qualidade e apoio contínuo a professores e diretores de escolas públicas no México e no Brasil com o objetivo de impactar a educação de maneira sistêmica. Investir na formação dos professores é a maior garantia de que esse conhecimento vai se espalhar pelas novas gerações. A educação é a grande ferramenta para que países como México e Brasil deixem os problemas para trás e encarem um novo ciclo de desenvolvimento econômico. Precisamos preparar hoje os estudantes para o amanhã. Um grande futuro começa com grandes professores.


*Kelly Maurice é Diretora Executiva da Educando by Worldfund (educando.org)

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Um grande futuro começa com grandes professores

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