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Pode parecer um tema óbvio, mas, o Índice de Saúde Organizacional, realizado e divulgado pela consultoria McKinsey, revelou que o Brasil está oito pontos atrás da média global para o indicador “motivação”. O índice, que analisou empresas de 100 países e ouviu 170 mil pessoas, mensurou o quanto os funcionários estão satisfeitos com as empresas em que trabalham e se a estratégia implementada por elas está funcionando.

Mas, o que motiva as pessoas no trabalho hoje? Estou certa de que salário não é o principal fator de motivação para os trabalhadores nos dias de hoje. Veja, não significa que a recompensa financeira não seja relevante, todavia, ela deixa de assumir um posto de relevância. Isso, pois, considerando que os millenials já ocupam mais de 50% da força laboral no Brasil, é necessário saber que esses profissionais possuem direcionamentos de vida diferentes da geração anterior e não é de se espantar que autonomia e responsabilidade sejam grandes motivadores para essa geração. Ou seja, a motivação tem relação direta com o autoconhecimento, habilidade obtida com o desenvolvimento de inteligência emocional.

Além disso, estar “feliz” com o trabalho contribui para o aumento da produtividade. Existe, no estado de felicidade, uma sensação de pertencimento, de entrega e de contribuição para algo maior. No coaching integral sistêmico, falamos da pirâmide de crenças, que reúne três padrões de comportamento e que podem ser limitantes ou fortalecedores no desenvolvimento pessoal e profissional. Na base, as crenças de identidade; no meio, as crenças de capacidade; e, no topo da pirâmide, as crenças de merecimento. Quando nos sentimos plenos no âmbito profissional, conseguimos preencher os três níveis e, principalmente, as nossas crenças de identidade.

O mundo corporativo já percebeu a necessidade de alinhamento entre essas crenças e a cultura empresarial, principalmente para os millenials. Isso tem mudado a construção de estratégias de desenvolvimento humano organizacional e já vemos que, nos processos de contratação, a prioridade está centrada nos valores pessoais e nas soft skills.

Neste contexto se encaixa o perfil das pessoas que desenvolvem a automotivação, um conceito que tem crescido e engajado o desenvolvimento de uma mão de obra mais qualificada, produtiva e consciente do seu papel dentro das organizações. A automotivação é a capacidade do cérebro de ativar a sua via de recompensa e a consequente liberação de dopamina no sistema sanguíneo. Esse hormônio modula e regula o senso de motivação, resiliência e outros processos cognitivos. Por isso, quem consegue se auto motivar obtém melhores resultados, já que consegue se manter mais tempo focado em um mesmo objetivo.

Estamos, aos poucos, entendendo que saímos de uma relação passiva quanto ao mercado de trabalho. Hoje, não ficamos mais 20 ou 30 anos em um mesmo trabalho, como faziam nossos pais, e isso é prova de que já buscamos nossas motivações por conta própria. Essa mudança na cultura das relações de trabalho tem pautado as empresas quanto a benefícios que vão além do financeiro e permitem maior adequação a esse novo perfil de colaborador.

*Lilian Carmo é master coach, diretora e proprietária da Febracis Campinas, sócia da Optimize Consulting e palestrante nas áreas de liderança, gestão, carreira e desenvolvimento pessoal. É mestranda em Neurociência pela Florida Christian University (FCU), master trainer Febracis e pós-graduada em gestão de pessoas, com extensão em finanças pela FGV. Com mais de 18 anos de experiência, atuou como executiva na Johnson & Johnson, Astrazeneca, Sanofi Aventis, Banco Itaú e Banco do Brasil.

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Salário não é o principal fator de motivação hoje

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