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A busca e a construção de uma boa educação são desejos que perpassam a vida da grande maioria dos pais e educadores, porém a forma como fazemos isso pode estar totalmente desconectada do que realmente almejamos e inclusive, pode trazer resultados opostos ao que pretendíamos inicialmente. Se buscamos uma educação em que a criança seja um ser ativo, pensante, reflexivo, cooperativo, com autoestima e autoconfiança para transformar o mundo e a realidade que a cerca, em um lugar melhor; a punição e a recompensa vão na contramão de todo esse projeto.

A base dessa afirmação se encontra nos pressupostos da Disciplina Positiva elaborada pela norte-americana Jane Nelsen que tem se espalhado pelo mundo. Uma de suas frases mais marcantes é: “de onde tiramos a absurda ideia de que, para levar uma criança a agir melhor, precisamos antes fazê-la se sentir pior?” Não faz sentido punirmos a criança ou fazermos ela sofrer, sentir culpa, vergonha e dor porque fez algo errado ou equivocado, mas sim, mostrarmos a ela que o erro pode ser construtivo e ajudá-la a pensar sobre como poderia resolver o problema. Segundo essa concepção, entende-se que os pequenos tendem a cooperar mais se são respeitados e envolvidos nas decisões.

Muitas pessoas que acreditam ainda em formas autoritárias de se educar os filhos costumam dizer: -Ah, mas eu apanhei e não morri! – Ah mas eu ficava de castigo e aprendi ser gente! E na verdade esse pensamento não é válido, porque nós não queremos formar sobreviventes e em muitas situações essas pessoas não reconhecem em sua vida, o mal que pode ter feito o tipo de tratamento que receberam em suas infâncias, entre eles: a falta de conexão com os pais, que por vezes se estende para outros relacionamentos, inclusive com os próprios filhos; a baixa autoestima; a necessidade de autoafirmação, vícios para preencher o vazio existencial; a falta de perceber o valor genuíno das coisas e o desenvolvimento de ações por medo de algum tipo de punição ou para tirar vantagem.

Sobre essa última afirmação podemos citar um exemplo, crianças que são educadas na base do medo deixam de fazer algo errado somente por conta desse sentimento, porque não querem levar uma palmada, ficar de castigo, mas muitas vezes não entendem realmente o sentido da situação e na primeira oportunidade que tem de fazer o que queriam, irão fazer, e nós vemos muitos adultos que agem assim, andam em velocidade acima do permitido, mas diminuem quando se aproximam de um radar, por medo de levar multa e não por responsabilidade social.

Por outro lado, muitos pais que não querem repetir o autoritarismo com que foram ensinados, acabam indo ao extremo da permissividade que também é prejudicial, pois priva a criança de aprender habilidades de vida que ela precisará ao longo de sua existência.

Há também os pais que utilizam de recompensas como ferramenta de educação. Essas, por sua vez, não são interessantes a longo prazo, porque as crianças vão se acostumando a fazer algo não porque é importante para elas ou para os outros, mas para ganhar uma recompensa. Por exemplo, uma criança não deveria ganhar uma estrelinha em um cartaz porque escovou os dentes ou porque guardou seus brinquedos. Ela deve compreender que escovar os dentes é uma questão de higiene e que guardar os brinquedos é uma responsabilidade que ela tem depois de brincar, e não que ela precisa fazer tudo isso para ganhar algo em troca.

A Disciplina Positiva traz conceitos e ferramentas que podem auxiliar pais e educadores a trabalharem de forma colaborativa com as crianças, conhecendo seu desenvolvimento, com base em uma educação que tem gentileza e firmeza ao mesmo tempo, que promove responsabilidade pessoal e social, é encorajadora e tem foco na solução de problemas. Sendo assim, quando tratarmos as crianças com dignidade e respeito, e quando lhe ensinarmos valiosas habilidades de vida para o desenvolver de um bom caráter, elas irão disseminar a paz no mundo. Se for isso que você almeja, procure conhecer mais sobre esses conceitos.

Autora: Vanessa Queiros Alves é professora do curso de Pedagogia Centro Universitário Internacional Uninter

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Punir e recompensar não é verdadeiramente educar

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