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Você já parou para pensar que participar mais do cotidiano da escola dos seus filhos pode influenciar a aprendizagem deles, incidindo em questões fundamentais da vida escolar? Nos focamos muito no que acontece dentro das salas de aula, mas o processo de aprendizagem depende muito mais do conjunto de interações que o aluno vivencia do que das que ocorrem somente dentro das salas.

Infelizmente, a participação de pais e familiares na rotina das escolas costuma estar limitada a reuniões e apresentações em datas especiais e precisamos de muito mais do que isso para, de fato, vivenciar e fazer a diferença na educação das nossas crianças e adolescentes.

Já há algumas décadas, estudos feitos pela Universidade de Barcelona apontam os benefícios da participação de pais, familiares e da comunidade no geral nas escolas por meio de comissões mistas de trabalho, assembleias e voluntariado para tutorias.  Esse tipo de participação aumenta os recursos humanos que apoiam a aprendizagem dos estudantes, permitindo atuações inclusivas que contribuem para o rendimento e a convivência escolar. Além disso, melhoram a relação entre família e escola, reforçando os valores de solidariedade, cumplicidade e amizade, beneficiando tanto os alunos quanto a comunidade escolar em geral.

É possível ampliar os espaços de participação dos familiares por meio de iniciativas simples, como adequar os horários das reuniões às possibilidades das famílias e promover encontros que não sejam meramente informativos, mas sim reuniões em que todos tomam decisões, criando um clima de confiança e diálogo.

Isso aumenta o sentido, as expectativas e o compromisso de todos com a educação, já que unimos esforços para alcançar objetivos comuns e compartilhamos a responsabilidade sobre as decisões que afetam a escola. Quando as decisões são unilaterais, ou seja, estão completamente nas mãos da direção da escola, corremos o risco de parte do grupo que compõe os públicos da escola (alunos, pais, professores, funcionários) não entender os motivos de determinada iniciativa, causando ruído no diálogo. Quando todos têm voz e vez e as decisões são tomadas coletivamente, tudo fica mais fácil. 

Isso passa pelo estabelecimento de um diálogo igualitário entre professores e familiares, fundamentado na validade dos argumentos e não em critérios baseados em relações de poder e pelo respeito e a valorização da inteligência cultural das famílias. Ou seja, precisamos valorizar o que cada família pode trazer à mesa porque as crianças e adolescentes não aprendem só quando estão em contato com os currículos obrigatórios, mas também ao se depararem com o que cada um de nós pode contar e oferecer. As possibilidades de aprender mais uns com os outros são infinitas e trazem um tipo de conhecimento que não se acha em livros didáticos ou apostilas.

Mesmo que a escola dos seus filhos ainda não esteja disponível para tamanha abertura, pais e mães podem estar mais presentes se envolvendo com as atividades nos espaços em que a instituição se propõem a abrir para a participação de familiares. Além disso, vale acompanhar de perto a rotina da criança, perguntando como foi seu dia, o que ela aprendeu, o que ela gostou e o que não gostou. Também é importante mostrar a ela que você valoriza a escola e os professores, consolidando a consciência sobre a importância da educação.

Como gestora de projetos do Instituto Natura desde 2013, acompanho de perto a proposta de Comunidade de Aprendizagem que, como o nome já diz, incentiva a participação de toda a comunidade no cotidiano da escola. 90 escolas públicas no Brasil e 400 na América Latina já se beneficiaram das transformações que o envolvimento de atores que ultrapassam os muros da escola pode trazer.  É gratificante ver como recursos humanos voluntários, que não sobrecarregam em absolutamente nada os orçamentos das escolas e secretarias, podem fazer a diferença.

Viajo bastante pelo Brasil, Argentina, Colômbia, Chile, Peru e México para ajudar escolas a se transformarem, como costumamos falar, e registramos resultados impressionantes em escolas com realidades bastante diferentes, desde as modelos, localizadas em regiões privilegiadas, até as mais isoladas e com dados iniciais desafiadores.

Durante as minhas andanças, me marcou algo que o diretor de uma escola me contou. Ele disse que a comunidade sempre esteve presente na escola, mas que o projeto havia transformado presença em participação. É essa diferença de comportamento, que parece sutil, mas não é, que queremos incentivar não só nas escolas publicas, por meio do Comunidade de Aprendizagem, mas também nas particulares, que também se beneficiariam de um maior envolvimento de pais e familiares por todos os motivos que citei acima. 

Escola e comunidade precisam caminhar juntas, já que as duas se complementam, aprendem e se formam uma com a outra.

Por Carolina Briso, gerente de projetos do Instituto Natura

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Pais que participam na escola colaboram para a melhora do rendimento e da convivência de todos

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