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A pandemia da Covid-19 trouxe muitos desafios a diferentes setores da sociedade, incluindo a Educação. Neste contexto, um grupo em particular, o de estudantes da 3.ª série do Ensino Médio, é um dos mais afetados. Mas será que estamos olhando com cuidado e compreendendo o que está acontecendo com eles? Os estudantes do “terceirão” estão vivendo o último ano da Educação Básica. São os veteranos e estão no auge da popularidade no colégio.  Quando inicia o ano letivo, há uma expectativa enorme, pois é o ano da despedida, das festas e celebrações, do fim de uma etapa. Mas é também o momento da separação daquela turma que caminha junto há anos. Acrescente a pressão pelas escolhas que terão de fazer. O curso superior, a instituição onde irão estudar, a cidade onde irão morar, o vestibular e o ENEM, e, ainda mais, o medo de fracassar e de desapontar tanta gente.

Agora, imagine o que é passar por tudo isso em isolamento social, sem poder interagir presencialmente, matar aula para encontrar o crush, chorar no ombro de um amigo, fazer a viagem de formatura, justamente numa fase de experimentação e mudanças no desenvolvimento biopsicossocial. O que passa na cabeça desse jovem neste momento? Acredite, é quase o fim do mundo! Então, cabe refletir sobre todo este contexto e pensar em como ajudar o estudante a manter o foco. O mais importante é lembrar que não é hora de cruzar os braços e esperar o fim dos tempos. Grandes eventos mundiais mudam a sociedade e precisamos aprender a lidar com a mudança.

Desde o fim da II Guerra Mundial, a expectativa de vida da população aumenta cada vez mais. É possível que os estudantes não saibam, mas é provável que eles vivam mais de um século. Com isso, a escolha do curso superior neste momento, por exemplo, não significa uma sentença, mas o início de um processo de desenvolvimento. Ao escolher o curso de Direito, o estudante não está sentenciado, necessariamente, a advogar por várias décadas. No entanto, o futuro certamente vai requerer muitas das habilidades, competências e conhecimentos desenvolvidos na faculdade de Direito para a atuação nas mais diversas frentes. Algumas delas sequer existem ou já foram imaginadas. O fato é que o aluno terá muito tempo para rever e reorientar sua trajetória profissional e seu projeto de vida.

Portanto, neste momento, é preciso a conscientização de que a pandemia pode, sim, ajustar o projeto de vida planejado para este ano, mas não vai tirar do estudante o poder de escolha sobre o seu futuro. E mais: é preciso entender que o vírus deixou a gente em casa, mas não deixou a gente parado. É momento de decisão sim, mas devemos ajudar o estudante a se conscientizar de que a gente aprende mais errando do que se ficarmos sem fazer nada.

Professores, pais e familiares: cuidem, ajudem estes estudantes nesta travessia. Fiquem juntos deles e atentos à sua saúde emocional e física. Ouçam mais, mas não deixem de propor boas opções de ócio que os ajude a se nutrir de coisas boas, que reduzam os ruídos e que favoreçam sua conexão com o mundo e consigo mesmos. Acompanhem, sem pressão. Incentivem as conquistas, mas não alimentem expectativas exacerbadas. Proponham desafios, mas não se esqueçam de celebrar as pequenas vitórias. A jornada foi longa e rica até aqui. Agora, é hora de apoiar e sugerir caminhos para um mundo de possibilidades.

*Wilson Galvão é coordenador de Área do Sistema Positivo de Ensino.

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O estudante do terceirão na pandemia

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