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O ex-ministro Antonio Palocci relatou, em depoimento prestado em abril deste ano à Polícia Federal, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sabia, desde 2007, do esquema de corrupção que acontecia dentro da Petrobras. A informação consta do trecho da delação de Antônio Palocci tornado público nesta segunda-feira (1ª) por decisão do juiz Sérgio Moro .

De acordo com o ex-ministro, Lula o convocou para reunião no Palácio da Alvorada em fevereiro de 2007 e se mostrou “bastante irritado” ao dizer que teve conhecimento de que os então diretores da Petrobras Renato Duque e Paulo Roberto Costa estavam “envolvidos em diversos crimes no âmbito das suas diretorias” – conforme transcrito na delação de Antonio Palocci .

Palocci relatou ao delegado Filipe Hille Pace que Lula o questionou sobre a veracidade daquela informação, o que foi confirmado pelo então deputado federal.  Palocci, então, teria dito que o próprio Lula era responsável pela nomeação dos diretores da Petrobras e o lembrou que tanto Duque quanto Costa “estavam agindo de acordo com parâmetros que já tinham sido definidos pelo próprio Partido dos Trabalhadores e pelo Partido Progressista”.

O ex-ministro da Fazenda disse acreditar que Lula agiu daquela forma porque ele queria “saber qual a dimensão dos crimes” e também avaliar se Palocci “aceitaria sua versão de que não sabia das práticas ilícitas cometidas”. Segundo o então deputado, essa prática era comumente empregada por Lula, que teria a “clara intenção” de “testar os interlocutores sobre seu grau de conhecimento e o impacto de sua negativa”.

Ainda segundo o ex-ministro, Lula sabia que existia esquema de pagamento de propina na estatal pois passou por ele indicação do PP para diretoria da Petrobras. Palocci explicou ao então presidente que “não havia sentido” em acreditar que o PP estaria contribuindo com políticas para a exploração do petróleo, pois “a única política do PP era a de arrecadar dinheiro”.

“Apesar do diálogo, Luiz Inácio Lula da Silva não tomou medidas posteriores para tirar os diretores dos cargos ocupados”, informou Palocci em seu depoimento.

O ex-ministro conta ainda que, já em 2010, ele participou de reunião com Lula, Dilma Rousseff e o ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli, na qual Lula “foi expresso” ao mandar Palocci “gerenciar” recursos que seriam gerados com contratos para a construção de navios-sonda, devendo ele empregar esse dinheiro na campanha de Dilma para a Presidência da República”.

A retirada do sigilo da delação de Palocci foi determinada por Moro no âmbito de ação penal da Operação Lava Jato que trata sobre suposta vantagem indevida paga pela Odebrecht a Lula.

O ex-ministro disse que aquela foi a primeira reunião com Lula em que explicitamente se tratou da arrecadação de propina a partir de grandes contratos da Petrobras.

Defesa de Lula contesta Moro e delação de Antonio Palocci

Em nota, a defesa de Lula criticou a quebra de sigilo da delação de Antonio Palocci  decretada pelo juiz Moro, e disse ainda que o ex-ministro “mentiu” para “obter generosos benefícios”. Nem o Partido dos Trabalhadores nem a ex-presidente Dilma Rousseff se manifestaram até o momento. Confira abaixo a íntegra da nota da defesa de Lula:

A conduta adotada hoje pelo juiz Sérgio Moro na Ação Penal nº 5063130-17.2016.4.04.7000 apenas reforça o caráter político dos processos e da condenação injusta imposta ao ex-presidente Lula.

Moro juntou ao processo, por iniciativa própria (“de ofício”), depoimento prestado pelo Sr. Antônio Palocci na condição de delator com o nítido objetivo de tentar causar efeitos políticos para Lula e seus aliados, até porque o próprio juiz reconhece que não poderá levar tal depoimento em consideração no julgamento da ação penal. Soma-se a isso o fato de que a delação foi recusada pelo Ministério Público. Além disso, a hipótese acusatória foi destruída pelas provas constituídas nos autos, inclusive por laudos periciais.

Palocci, por seu turno, mentiu mais uma vez, sem apresentar nenhuma prova, sobre Lula para obter generosos benefícios que vão da redução substancial de sua pena – 2/3 com a possibilidade de “perdão judicial” – e da manutenção de parte substancial dos valores encontrados em suas contas bancárias.

Fonte: Último Segundo – iG 

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Lula sabia do petrolão desde 2007 e não tomou medidas, diz Palocci em delação

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