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O suicídio é uma tragédia que abala e afeta a família inteira com efeitos deletérios e duradouros. Sua causa é multifatorial, mas sabe-se que possui uma intensa relação com transtornos mentais, financeiros, dependências químicas, violência doméstica, discriminação e demais situações estressantes. A subnotificação do comportamento do suicida passa dos 50% dos casos, o que torna o processo de causa morte ainda difícil de se avaliar, conforme descrito pela Fundação Oswaldo Cruz.

Por se tratar de um assunto delicado, que chega a ser quase um tabu, as famílias não conversam sobre essa temática, fazendo com que a busca por ajuda se torne mais difícil para quem necessita, dificultando a percepção dos familiares aos indícios de um possível suicida. Para ampliar a percepção da sociedade e fazer com que o assunto se incorpore aos diálogos em família, o Ministério da Saúde criou a campanha Setembro Amarelo, já que no mesmo mês acontece o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio (10/09). A campanha vem despertando e ampliando o interesse da sociedade em discutir o assunto e avaliar as possíveis situações de risco.

Entretanto, os últimos acontecimentos (relacionados a pandemia) vêm provocando um aumento do risco dessa causa de mortalidade. Os números de suicídios ultrapassam 800 mil casos anuais no âmbito mundial e 12 mil no Brasil, o que configura um importante problema de saúde pública, visto que é a segunda maior causa de mortes entre os jovens, e aqui destaca-se ainda que para cada ato efetivado existem muitos outros que tentaram, mas não conseguiram. Esse dado é ainda mais relevante quando o público analisado está na faixa etária acima dos 60 anos, pois existe relação entre tentativa e efetividade que é ainda mais próxima.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) relata que há uma estreita relação entre situações pandêmicas e o aumento no número de suicídios entre idosos, como ocorreu com a pandemia de Influenza, no início do século XX e a de 2003, ocasionada pelo SARS. Isso pode ser reflexo das medidas protetivas nessas situações, como o isolamento social; sentimento de perda advindo com o óbito de familiares e amigos; aumento de violência doméstica; e aumento da ansiedade e sentimento de angústia (Hartmann, 2020).

Decorrente desse alerta há que se ampliar a atenção aos idosos e ficar atento aos sinais que precedem o ato, tais como: apresentar sentimento de peso para a família, de culpa ou vergonha de forma inadequada, tristeza, desesperança, ansiedade, agitação e raiva, fazer a distribuição de bens, despedir-se, comer ou dormir pouco e ter atitudes arriscadas.

A prevenção é a forma mais eficaz de evitar que uma tragédia acometa uma família. Caso identifique um caso em seu seio familiar aja com paciência e busque acolher quem necessita de ajuda, não desmereça os medos e anseios do outro e nem mesmo repreenda. Busque ajuda profissional, por meio dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) ou instrua o familiar a entrar em contato por meio do telefone 181, do Centro de Valorização da Vida (CVV). O fator mais importante é que haja um diálogo, pois, o silêncio contribui para o agravamento do caso e também o crescimento do número de ocorrências.

 

Autores:

Cristiano Caveião é professor e coordenador do Curso de Tecnologia em Gerontologia – Cuidado ao Idoso do Centro Universitário Internacional Uninter.

Izabelle Rodrigues é professora e tutora do Curso de Tecnologia em Gestão em Vigilância em Saúde do Centro Universitário Internacional Uninter.

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COMO PREVENIR SUICÍDIOS NA TERCEIRA IDADE, DURANTE A PANDEMIA

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