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A poeta Cida Pedrosa lança na próxima quinta-feira (3) o décimo livro da sua carreira. Estesia, que sai pelo selo Claranan, é composto por quarenta haikais e também quarenta imagens feitas pela própria autora durante os passeios nos arredores da sua residência, no Recife, na companhia do cão de estimação Bob Marley.

O lançamento virtual vai acontecer no dia 3 de setembro (quinta-feira), às 19h, e contará com as participações das poetas Mariane Bigio, Silvana Menezes e Susana Morais, que irão recitar alguns poemas. E ainda Amélia Reinaldo, arquiteta e professora da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), especialista em urbanismo e paisagem, criadora do Departamento de Patrimônio Cultural do Recife. Lourival Holanda, escritor, professor do curso de letras da UFPE e membro da Academia Pernambucana de Letras. Sidney Rocha, escritor. E Clécia Pereira, mestra em educação, especialista na obra de Cida Pedrosa. Toda a renda com a venda do livro, disponível exclusivamente na Amazon em formato e-book, será destinada para a União Brasileira de Mulheres, dentro da campanha “Distribua amor, doe alimentos”.

O tempo em casa permitiu que Cida, sempre com várias atividades em diversas frentes, pudesse lançar o seu olhar para o mundo que a cercava, dos quarteirões que circundam o seu prédio no bairro das Graças, zona norte do Recife, reinventando o próprio fazer literário. É um livro produzido em forma rígida, com cinco ou sete sílabas poéticas, tradicionais para este  tipo de texto. Algo novo para ela, que viu no haikai a possibilidade de criação que até então não tinha experimentado.

“O haikai só existe de verdade se partir do sentimento causado através da contemplação. Por isso eu fiz a união de fotos e poemas. Porque eu contemplava, deixava o contemplado entrar em mim, e registrava em fotografia. Quando se fazia o haikai nos primórdios, na época de Matsuo Bashô, por exemplo, eles criavam os poemas e descreviam o porquê daquele poema. São textos muito ligados com as situações externas. As fotografias que eu fiz substituem esse método. É uma forma moderna de descrever o haikai. Apresenta a quem vai ler o que foi contemplado. Só depois vem o poema”, explica.

A quantidade de poemas e de fotos não é por acaso. A obra foi toda pensada e criada justamente durante a pandemia. São textos e imagens que perpassam sentimentos variados de contemplação durante o período mais duro do isolamento social. Ao lado do seu fiel cão Bob Marley, Cida viu a cidade, que antes era agitada, entrar no mais absoluto silêncio. O seu instinto artístico, sempre inquieto, fez surgir na oportunidade forçada por circunstâncias obscuras, ideias para um registro que unissem a contemplação do olhar atento às cenas e situações que ela percebia durante os passeios com o cachorro de estimação, e a poesia.

É um livro de linguagem totalmente conectada ao contemporâneo dos dias pandêmicos, com várias circunstâncias que lhe que serviram de referências para os haikais de Estesias. A própria casa e as ruas vizinhas ajudaram na urgência criativa da poeta neste novo tempo.

Os nove primeiros poemas foram feitos dentro do apartamento de Cida, da contemplação do lar. Todos os outros foram feitos fora da residência, como consequência da necessidade que ela sentiu em explorar sensações diversas. “Este é um livro de muita emoção, que me devolveu a sanidade. Estou muito feliz de poder dividi-lo com outras pessoas, porque a pandemia não pode nos travar”.

No livro, um pôr do sol se transfigura numa expressão triste e bela do enclausuramento. A flor na varanda se torna figura do olhar atento da poeta remetendo ao desejo humano de liberdade. Como também objetos inanimados, como um copo quebrado, relembrando os estilhaços da memória ou a mantilha que cobre uma antiga cadeira de balanço e serve de transporte para outra época. E ainda rosas da própria residência auxiliando no consolo de um dia cinza, ali próximo do bule de café adaptado para outras funções, como a humanidade está tendo que se adequar agora.

E assim o livro (a poeta) sai às ruas, por ruínas de casas que já não são mais, tomadas pela vegetação. Folhas caídas no concreto de uma beleza possível. Lojas sem clientes habitadas por manequins, com portas fechadas por tempo indeterminado. Entregadores de aplicativos de comida entregues à própria sorte e moradores de rua, esse lar sofrível, vivendo nesse lugar que se tornou ainda mais inabitável por conta de um vírus mortal, tendo que se recolher ao próprio destino, esperando a morte chegar, como bradou Raul.

E diversas outras situações observadas por Cida para compor o seu mosaico sentimental, onde a morte, inevitavelmente, atravessa de forma direta e rápida os fragmentos da vida transformados em narrativas poéticas. Mensagens perdidas nas ruas e encontradas pelo olhar translucido da poeta.  Ao mesmo tempo em que a verticalidade da metrópole sugere não apenas tocar um confuso céu, mas sobretudo o espaço que se alastra para além das paredes e muros dos edifícios e casas, em doses profundas de instabilidade da existência.

Estesia apresenta poemas e imagens que compõe um tecido narrativo original, de forte comoção.  Este livro surge para lembrar que a linguagem faz parte da expressão humana. E também representa renovação para a autora.

“Novamente eu tenho a coragem de caminhar por novos formatos poéticos. Eu sou inquieta por natureza. E não consigo ficar fazendo o mesmo tipo de poema a vida inteira. Estesia é um novo estilo para mim. Assim como os meus livros Claranã (Confraria do Vento, 2015) e Solo para vialejo (CEPE, 2019). Com este agora eu experimento uma nova linguagem poética e mergulho para dentro de mim e, de novo, a literatura me salva”.

Serviço:

Lançamento virtual do livro Estesia, de Cida Pedrosa.

Quinta-feira (3 de setembro), às 19h.

Sala virtual aberta ao público, através do link: https://meet.google.com/xve-mtgj-cka

Também nas redes sociais da autora: @cidapedrosa65 e no perfil no YouTube

Valor do livro: R$ 20.

Onde comprar: www.amazon.com.br

Contato Cida Pedrosa: 81 – 99939 3355     

CIDA PEDROSA

 Nasceu em 1963, em Bodocó, Sertão do Araripe pernambucano, é poetisa, contista, recitadora, residente em Recife.

Militou e fez parte da coordenação do Movimento de Escritores Independentes de Pernambuco, na década de 80, que agregou a cena cultural alternativa e marginal da época, em recitais e performances de rua, exposições, feiras e vendas de livros, edições de fanzines e livretos, movimento que hoje é reconhecido como parte da história da literatura pernambucana.

Desde a década de 80 realiza recitais solo ou em grupo. Foi uma das criadoras da RECITATA, concurso de poesia oral, do Festival Recifense de Literatura. Integrante do coletivo Vozes Femininas que recitava e performava poemas, em especial com o recorte de gênero. Junto com Silvana Menezes poemou no projeto Poesia Bicho Fêmea que levou ao palco a literatura de sete escritoras, todas com mais de 70 anos. Recentemente tem experimentado viagens em conjunto com outras linguagens a exemplo do espetáculo Poesia em Frevo – A Solidão aprende a dançar em que recita junto com a Orquestra de Frevo Henrique Dias.

Publicou dez livros de poesias: Estesia (Claranan, 2020); Solo para vialejo (CEPE, 2019); Gris (CEPE, 2018); Claranã (Confraria do Vento, 2015); Miúdos (Interpoética, 2011); As filhas de Lilith (Calibán, 2009 1ª ed. – Claranan, 2017 2ª ed.); Gume (2005); Cântaro (2000); O Cavaleiro da Epifania (1986); e Restos do Fim (1982), estes últimos em edição da autora.

O livro Claranã, foi semifinalista do Oceanos – Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa. Uma nova experiência estética na vida da autora que sempre escreveu poemas livres. Trata-se de uma obra que bebe nos modelos clássicos do cordel e do repente, obedecendo o rigor da métrica, da rima e do ritmo. Em contraponto ao tradicionalismo da forma a poetisa ousa em conteúdos atualíssimos, passeando pelos metapoemas, poemas de gênero, eróticos e homoeróticos.

As filhas de Lilith é um abecedário feminino de A a Z, em que cada poema conta a história de uma personagem com temas contemporâneos e femininos. A obra se tornou referência para a literatura erótica e de gênero. É estudada hoje em dissertações de metrado. Já foi objeto de estudos de alguns TCCs e de vários artigos acadêmicos. Foi semifinalista do prêmio Portugal Telecon. O livro também foi transcriado para o cinema, a partir do projeto Olhares sobre Lilith. Foram realizado 26 vídeo-poemas por 26 videasta. Sucesso de crítica e público, vários filmes foram premiados em festivais do Brasil.

Participou das antologias Sete Pecados Capitais em Prosa e Verso (Enseada das Letras, 2016); Vozes do Sertão (Cortez, 2015); Dedo de Moça (Terracota, 2009); coletânea de poesia bilíngue Recife/Nantes – Um olhar transatlântico (FCCR, 2007); Cantos e Contos de Natal (Funcultura, 2006); Pernambuco Terra da Poesia (Carpe Diem, 2005); Retratos: A Poesia Feminina Contemporânea em Pernambuco (Bagaço, 2004); Marginal Recife I (FCCR, 2003); Corpo Lunar (Funcultura, 2002); e Natal Pernambucano (Bagaço, 2001).

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Cida Pedrosa lança Estesia, livro de haikais em formato e-book, que nasceu durante a pandemia

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