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Sem dúvida alguma, estamos passando por um dos momentos mais tristes da história do país. Somos chamados à empatia por uma das maiores lições de indiferença com relação à vida humana com a tragédia de Brumadinho. Correu-se o risco, para faturar mais. O risco era grande, mas na visão dos empresários, o ganho era maior. Que dissabor!

Será que alguns seres “humanos” são geneticamente modificados para nascerem sem o mecanismo da compaixão? Aquele sentimento que nos faz chorar ao ver a dor do outro? Será que são treinados ou programados para enxergarem apenas números ao invés de pessoas?

Bom, imaginamos que mediante tal consternação nacional, houve engajamento de todo mundo em prol da empatia, certo? Infelizmente, errado. E, o mais absurdo dessa história toda é que empresários acreditaram que podem fazer marketing em cima da dor, ganhar seguidores pisando em valores básicos de humanidade.

Um fabricante de empilhadeiras e uma empresa de cosméticos são exemplos disso. No primeiro caso o diretor da marca de empilhadeiras, acostumado a fazer promoção – e um sucesso duvidoso – com posts de duplo sentido e conotação “humorística”, resolveu que a situação em Minas Gerais poderia ser, de alguma maneira na cabeça dele, engraçada.

Então, ele e sua esposa passaram tinta escura no corpo e postaram uma foto em trajes de banho, na qual lia-se “Somos todos #Brumadinho, mas lembre-se precisando levantar qualquer lama recorra à nossa empresa da Empilhadeiras”. Nada poderia ser mais sem noção ou falta de sentimento pela dor alheia do que isso. O repúdio foi tão grande que suas páginas de Facebook e Instagram foram denunciadas diversas vezes e excluídas.

Mas não ficou por aí. A empresa de cosméticos também demonstrou ser fera no marketing da desumanidade. Para provar isso, criou uma campanha – com modelos e tudo – chamada Campanha Protesto, na qual os profissionais, devidamente maquiados e sujos de lama, fazem caras e bocas para representar as vítimas do desastre mineiro. Pelo que se pode compreender, quiseram se mostrar “solidários” e promover a marca como uma empresa do bem. O tiro saiu pela culatra e suas páginas em redes sociais também foram devidamente excluídas.

Como alguém pode querer fazer autopromoção mediante tanto sofrimento? A isso chamam marketing? Se me permitem um conselho, aqui vai: se nada puder fazer de bom mediante uma desgraça, nada faça! Cale-se, restrinja-se à sua insignificância. Não tente ganhar qualquer tipo de bônus mediante a tragédia, pois a grande maioria dos seres humanos têm, pelo menos, um mínimo de empatia. Só os psicopatas não têm.

Seja na vida ou no marketing, mais amor, por favor!

*Luciene é jornalista há mais 25 anos e empresária. É diretora da Lucky Assessoria de Comunicação, Ahoba Viagens by Lucky e Portal Franquia & Companhia. Adora que faz.

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O “marketing” da desumanidade

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